Quando falamos de vampiros na literatura, nomes como Drácula de Bram Stoker ou Lestat de Anne Rice, surgem imediatamente em nossa memória. Mas, temos vampiros brasileiros? Como esses seres tão interessantes e com um mundo ficcional tão rico são representados em nossa literatura? É o que iremos lhe apresentar!
As histórias de vampiros não são exclusividade da literatura estrangeira. O Brasil tem uma cena riquíssima de autores que exploram o mito do vampiro com criatividade, brasilidade e até com uma certa crítica social.
Há um nome que se destaca na ficção fantástica nacional povoada por vampiros e seres mágicos: André Vianco, pseudônimo de André Ferreira da Silva. Ele se tornou referência no horror nacional e é reconhecido como o maior autor de literatura vampiresca do Brasil, explorando o sobrenatural com originalidade e profundidade. Suas obras trazem características que só os brasileiros poderiam acrescentar nesses seres tão amados da literatura mundial.
Neste post, vamos conhecer um pouco da obra de André Vianco retratando os vampiros brasileiros e explorar o universo dos vampiros criados por ele, suas contribuições para a literatura fantástica nacional e as principais obras que marcaram a carreira do autor.

O Universo Vampírico de André Vianco
Com uma prosa direta, personagens marcantes e cenários urbanos e nacionais, Vianco criou um universo próprio, onde o terror, a fantasia e o sobrenatural se entrelaçam com a vida cotidiana brasileira.
André Vianco revolucionou o gênero vampiresco no Brasil nos anos 2000 com a série “O Vampiro-Rei”. Ambientado em São Paulo e em outras regiões do Brasil, seus vampiros são antigos, poderosos e brutalmente perigosos, mas com conflitos que também refletem a condição humana.
O grande trunfo de Vianco foi “abrasileirar o mito do vampiro“. Ele retirou os sugadores de sangue dos castelos góticos europeus e os trouxe para praias brasileiras, ruas de São Paulo, cidades do interior e até conventos abandonados.
Suas criaturas são antigas e poderosas, mas falam português, habitam nossos espaços e convivem com uma realidade social e cultural que é nossa. Ao fazer isso, criou identificação com o leitor brasileiro, que viu pela primeira vez vampiros em um contexto realista e próximo.
A Bibliografia Vampiresca de André Vianco
Os Sete (1999)
Este foi o livro que colocou Vianco no radar da literatura brasileira. A história acompanha sete vampiros portugueses do século XVI que, após um longo período presos em um caixão submerso, são despertados na costa do Brasil, cada um com habilidades únicas e aterrorizantes.
Esses vampiros, conhecidos como Inverno, Gentil, Acordador, Espelho, Lobo, Tempestade e Sétimo, espalham medo e violência pelo Brasil, trazendo consigo a promessa de caos e domínio, criando uma atmosfera de tensão e medo que invade a vida cotidiana dos personagens.
Sétimo (2000)
Na sequência de Os Sete, um dos vampiros mais poderosos e enigmáticos naufragados na costa do Brasil, conhecido como “Sétimo”, se torna o centro das atenções. Ele possui poderes que podem mudar o destino de todos os personagens envolvidos, sendo capaz de subjugar humanos e vampiros com a mesma facilidade.
Vianco, aqui, aprofunda sua exploração sobre o conceito de imortalidade e o peso que ela exerce sobre aqueles que a possuem, explora a solidão e a escuridão que cercam a existência de Sétimo, tornando-o um antagonista ao mesmo tempo aterrador e fascinante.
Esse livro consolidou o sucesso de Vianco e foi responsável por atrair uma legião de fãs.
Trilogia Vampiro-Rei (2003-2006)
Nessa trilogia, Vianco explora mais fundo a figura do vampiro como um ser quase divino, com um reino e uma hierarquia própria. A humanidade entra em colapso e os vampiros tomam o controle do mundo, transformando os sobreviventes em servos, presas ou soldados. A trilogia é marcada por uma forte crítica social e por suas analogias com as questões de fé, poder e moralidade.
- Em Bento (2003), acompanhamos o início da resistência humana contra os vampiros dominadores. Bento, o protagonista, é um monge guerreiro que luta contra essas criaturas imortais em um Brasil pós-apocalíptico destruído pela guerra contra os vampiros. O leitor pouco a pouco se vê imerso em um mundo de batalhas épicas, mitologia e confrontos sobrenaturais.
- Em A Bruxa Tereza (2004), a luta se intensifica introduzindo novos personagens à batalha, fazendo com que a trama mergulhe em magia e profecias antigas, ampliando a mitologia do universo. A personagem Tereza passa a ter um papel central na trama, trazendo revelações sobre o passado e indicando caminhos para o futuro da guerra.
- Em Cantarzo (2005), a guerra entre humanos e vampiros atinge seu clímax. O terrível Cantarzo, um dos vampiros mais antigos e cruéis, torna-se o maior adversário de Bento. Há o enfrentamento em batalhas épicas e decisivas, onde se revelam os segredos das profecias sobre o passado e o futuro dos dois povos. O desfecho encerra a trilogia com uma combinação de terror, ação e épico apocalíptico, consolidando Bento como herói lendário da resistência.
Trilogia O Turno da Noite (2006-2007)
Com a trilogia O Turno da Noite, Vianco apresenta uma nova geração de vampiros em uma série voltada para um público jovem-adulto, apresentando um tom mais contemporâneo, influenciado por thrillers policiais.
Ambientados nas ruas de São Paulo, o autor mistura ação e suspense, mostrando como a sociedade humana lida com a presença de seres sobrenaturais. Os vampiros começam a se infiltrar nas instituições e os humanos começam a questionar até onde eles podem chegar.
A trilogia mostra o treinamento de jovens vampiros e o surgimento de uma sociedade sombria que habita o submundo da cidade.
- Em Os Filhos de Sétimo (2006), depois do despertar dos vampiros, São Paulo se torna palco de uma guerra nas sombras. Jovens vampiros, descendentes diretos de Sétimo, começam a se organizar, formando o chamado Turno da Noite, um grupo de vampiros que age como uma espécie de “família”, espalhando medo e conquistando territórios. Os personagens humanos, por diferentes motivos, acabam envolvidos nesse submundo de sangue e violência.
- Em Revelações (2006), o grupo de vampiros cresce em poder e influência. Conflitos internos, traições e novas descobertas sobre o legado de Sétimo e seus filhos vêm à tona. A narrativa expande o foco para além da sobrevivência, mostrando disputas pelo controle da noite e revelando segredos que ligam humanos e vampiros de formas inesperadas.
- Em O Livro de Jó (2007), o ciclo se encerra com um clima mais sombrio e apocalíptico. O Turno da Noite, já poderoso, enfrenta forças ainda maiores, e os personagens são levados ao limite em uma batalha que mistura fé, magia e violência. O desfecho conecta a trilogia ao grande arco da mitologia criada por André Vianco, preparando terreno para a saga O Vampiro-Rei.
Por que ler André Vianco, o Rei dos Vampiros Brasileiros?
Se você é fã de vampiros e deseja explorar uma abordagem completamente nova sobre essas criaturas imortais, a obra de André Vianco é essencial, pois ele conseguiu não apenas reinventar os vampiros, mas também oferecer uma perspectiva brasileira única sobre esses seres misteriosos.
Ao criar uma mitologia vampiresca que mistura o sobrenatural com a cultura e os cenários brasileiros, ele trouxe uma nova abordagem para esse gênero, conquistando fãs e leitores de todo o país.
Além disso, Vianco soube criar uma mitologia vampiresca única e conectada de maneira orgânica em todas suas obras. Ele criou um universo compartilhado, onde os personagens de uma história podem reaparecer em outras e onde as ações de um livro impactam diretamente o destino de outros.
Se você ainda não conhece, que tal começar a leitura de Os Sete e embarcar nesse universo vampiresco único e apaixonante de André Vianco?
Se você já leu algum livro do André Vianco e tem um vampiro favorito da obra dele, comente abaixo e compartilhe esse blog com outros fãs do horror nacional.
Bônus: Outros autores brasileiros da literatura vampiresca para você conhecer!
César Bravo
Autor em ascensão no horror nacional, mistura terror psicológico com elementos sobrenaturais. Seus textos são cheios de crítica social, colocando os vampiros em um ambiente urbano e decadente. Obras: “Calafrio” e “Sete minutos para a meia-noite”.
Clara Madrigano
A autora trabalha o mito dos vampiros com uma abordagem feminista e sombria. Seu conto é ambientado em um Brasil alternativo, subvertendo o papel da mulher-monstro sob o estilo da fantasia especulativa e do horror feminista. Obra: “As boas damas”.
Douglas MCT
Fantasia urbana é o estilo desse autor e sua obra é voltada para o público jovem adulto misturando vampiros, necromantes e outros seres fantásticos. Escreveu a série juvenil Necrópolis, onde apresenta um Brasil alternativo em que o sobrenatural é parte do cotidiano. Obras: “Necrópolis – A Fronteira das Almas” e “Necrópolis – O Forte das Almas”